
Os dias passam iguais, mesma angustia, mesmo desespero, mesma
dor.
Preciso de uma distração, nada me distrai.
Não consigo escrever minhas histórias, ler meus livros, nada me
prende, tudo me prende, tudo sufoca, não há paz, não há nada.
A chuva martela o chão lá fora, o céu cinza, não reclamo, nunca
gostei de sol.
O tédio me empurra para baixo, cordas invisíveis me apertam, não
respiro.
Ainda respiro.
Não quero.
Tudo dói, não quero que doa.
Um corte novo, outra cicatriz, gotas de sangue.
Finjo um sorriso, minha máscara é pesada, mas eu sou fágil sem
ela.
Não quero magoar ninguém, sou egoista com a dor, ela é toda
minha, só minha.
O dia se foi, não tenho sono, dias iguais, manhã a mesma coisa,
não quero mais.
"Quando os antidepressivos e os
calmantes não fazem mais efeito, Clarisse sabe que a loucura está
presente e sente a essência estranha do que é a morte, mas esse
vazio... Ela conhece muito bem."

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